A descoberta da equipe de pesquisadores do Laboratório Nacional de Biociências de Campinas (SP), promete ser uma esperança para mulheres com câncer de mama triplo-negativo, ou TNBC, que representa aproximadamente 15% a 20% de todos os cânceres de mama.

O câncer de mama triplo-negativo, ou TNBC, representa aproximadamente 15% a 20% de todos os cânceres de mama e é mais comum em mulheres afro-americanas. Esses tumores não possuem receptores de estrogênio, progesterona e proteína HER2 que estão presentes em outros cânceres de mama e permitem certas terapias direcionadas. E como todo tumor TNBC tem uma composição genética diferente, encontrar novos marcadores que possam guiar o tratamento tem sido uma tarefa difícil para a medicina.

“Há um interesse intenso em encontrar novos medicamentos que possam tratar esse tipo de câncer de mama. O TNBC é considerado mais agressivo e tem um prognóstico pior do que outros tipos de câncer de mama, principalmente porque há menos medicamentos direcionados para tratar o TNBC”, explica uma das pesquisadoras do Laboratório Nacional de Biociências de Campinas, São Paulo, Sandra Martha Gomes Dias.

ENTENDA A DESCOBERTA

Subtipo de câncer é o mais agressivo (Foto: Douglas Adamoski)

No entanto, ela e seus colegas trouxeram uma nova esperança ao desenvolverem uma estratégia que retarda o crescimento de células desse subtipo de câncer, cortando-as de duas principais fontes alimentares. No novo estudo, publicado no Journal of Biological Chemistry, os cientistas brasileiros demonstram que, além da glutamina – uma conhecida fonte de alimento para o câncer -, as células TNBC podem usar ácidos graxos para crescer e sobreviver. Quando os inibidores que bloqueiam o metabolismo da glutamina e dos ácidos graxos foram usados ​​em conjunto, o crescimento e a migração do TNBC diminuíram.

Segundo a pesquisadora, para manter sua capacidade de crescer a um ritmo alucinante, as células cancerígenas consomem nutrientes a um ritmo maior. A glutamina, que é o aminoácido mais abundante no plasma, é uma delas. Alguns tipos de câncer tornam-se fortemente dependentes desta molécula versátil, uma vez que oferece energia, carbono, nitrogênio e propriedades antioxidantes, que suportam o crescimento do tumor e a sobrevivência.

A droga Telaglenastat previne o processamento de glutamina e atualmente está em ensaios clínicos para tratar o TNBC e outros tipos de tumores. Ela funciona desativando a enzima glutaminase, impedindo que as células cancerosas se quebrem e colhendo os benefícios da glutamina. No entanto, pesquisas recentes mostraram que algumas células TNBC podem resistir ao tratamento medicamentoso.

Para ver se alterações na expressão gênica poderiam explicar como essas células sobrevivem, os autores do estudo expuseram as células TNBC a essa droga, definiram as que eram resistentes e as que eram mais sensíveis, e sequenciaram o seu RNA. Nas células resistentes, as vias moleculares relacionadas ao processamento de lipídios foram altamente alteradas. Em particular, os níveis das enzimas CPT1 e CPT2, que são críticos para o metabolismo dos ácidos gordos, aumentaram.

“CPT1 e 2 atuam como gateways para a entrada de ácidos graxos nas mitocôndrias, onde serão usados ​​como combustível para a produção de energia. Nossa hipótese era que o fechamento deste portal pela inibição da CPT1 em combinação com a inibição da glutaminase diminuiria o crescimento e a migração de células TNBC resistentes ao CB-839″, explica ela.

A dupla inibição provou ser significativa, uma vez que retardou mais a proliferação e migração em células TNBC resistentes do que a inibição individual de CPT1 ou glutaminase. Para a pesquisadora, esses resultados fornecem novos marcadores genéticos que podem guiar melhor a escolha de medicamentos em pacientes com TNBC.

Fonte: https://revistacrescer.globo.com/